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História da arqueologia em Jacareí

Os povos que ocupavam a costa litorânea do continente americano e zonas adjacentes internas no século XVI foram descritos por Alfred Métraux como:

“…aborígines, cuja língua e civilização material apresentam uma profunda unidade, estavam divididos em numerosas nações que se combatiam escarniçadamente.  Muito embora cada uma dessas nações ou tribos usasse seu próprio nome, eram todas, geralmente,  de Tupinambás. Na realidade, porém, tal designação, que semelhantes indígenas se davam a si mesmos, historicamente cabia apenas aos tupis estabelecidos no recôncavo do Rio de Janeiro, na região da Bahia e na província do Maranhão.

Apesar de sua total extinção, os tupinambás se podem considerar os aborígines sul-americanos mais bem conhecidos.”

Da religião dos Tupinambás, Métraux descreve as crenças no além-túmulo, assim como foram descritas por Thevet

“Quando morre o marido, ou a esposa, ou outro qualquer parente – pais, mães, tios ou irmãos – os selvagens curvam-no dentro da própria rede onde falece, dando-lhe a forma de um bloco ou saco, à semelhança da criança no ventre materno; depois, assim envolvido ligado e cingido com cordas de algodão, metem-no em um grande vaso de barro, cobrindo-o com a gamela onde o defunto costumava lavar-se, receando, segundo dizem, que o morto ressuscite, se não está bem amarrado, temor, aliás, muito grande, pois crêem que isso já aconteceu a seus avós, motivo pelo qual convieram em tomar tal precaução.”

Sobre essa maior proximidade e percepção sobre os Tupinambás, Berta Ribeiro explica que foi o primeiro povo do continente que inicialmente estreitou contatos com o colonizador, pois;

“…pertencia à grande família Tupinambá, tronco tupi-guarani, que ocupava quase todo o litoral.

Eram recém-chegados à costa, de onde expulsaram as tribos inimigas, com exceção de alguns grupos, encaminhando-os para o sertão. Os tupi transmitiram aos primeiros cronistas e aos jesuítas a noção de que o mundo indígena se dividia em dois grandes blocos: o dos que falavam a sua língua  e praticavam seus costumes e o de seus contrários, chamados tapuia ( os grupos filiados à família lingüística jê e alguns outros de língua isolada ), o que quer dizer escravo. Essa divisão dos índios no Brasil prevaleceu muito tempo e servia para distinguir os grupos do litoral daqueles do sertão Com o devassamento do interior nos séculos seguintes ao da descoberta, passou-se a ter uma visão mais exata do mosaico indígena que habitava o país.

… Os índios do tronco tupi-guarani eram povos agricultores, com grande mobilidade espacial. Os primeiros colonizadores surpreenderam e até provocaram suas migrações.  A localização precisa desses grupos foi, por isso mesmo, muito difícil. … Os tupi viviam numa faixa de São Paulo até o Pará.  Os tupi da costa eram conhecidos pelo nome genérico de Tupinambá e se dividiam em vários grupos locais…. Do Rio Paraíba do Sul até Angra dos Reis era domínio dos Tamoio que viviam em constante hostilidade com os Temiminó, ocupantes do baixo Paraíba.”

Paulo Reis Pereira relacionou indígenas que habitaram o Vale do Paraíba: Temiminós, Tupinambás, Puris, Tamoios, Goitacás, Guaianás, Maramomis.

Acerca de pesquisas recentes realizadas nos sítios arqueológicos de Jacareí, Vale do Paraíba e Estado de São Paulo os arqueólogos Érika M. Robrahn-González e Paulo Zanettini enunciaram que

“… o conhecimento atual sobre a ocupação de grupos ceramistas pré-coloniais no Estado de São Paulo é ainda bastante incompleto… são conhecidos cerca de 200 sítios, que estão longe de corresponder à sua totalidade. Isto se deve, pelo menos em parte, ao fato de contarmos com grandes extensões territoriais praticamente desconhecidas, como é o caso do próprio Vale do Paraíba…. os 200 sítios cerâmicos de São Paulo  apresentam consideráveis variações… variações  na indústria cerâmica  levaram à definição de três grandes unidades classificatórias: a tradição   Tupiguarani, a tradição Itararé e a tradição  Aratu/Sapucaí…informações indicam que os sítios com cerâmica Tupiguarani de São Paulo estão longe de constituir uma unidade.  Ao contrário, fornecem indícios de especificidades locais e regionais…

O sítio Santa Marina de Jacareí apresentou material cerâmico relacionável à tradição Tupiguarani…”

Os arqueólogos relacionaram outros sítios cerâmicos de Jacareí, que denunciam e confirmam a presença de comunidades indígenas no território do Vale do Paraíba, antes da chegada do colonizador e subseqüentemente a extinção destas.

Sítio Arqueológico Vila Branca pesquisado por González e Zanettini;

Sítio Arqueológico Pedregulho escavado por Cristina Scatamacchia;

Sítio Arqueológico Mirante do Vale pesquisa realizada por Plácido Cali.

Fig. 4 Sítio Santa Marina Jacareí

Fig. 5 Sítio Santa Marina Jacareí

Fig. 6 Sítio Vila Branca Jacareí

Fig. 7 Sítio Vila Branca Jacareí

Fig. 8 Pedra Memorial ao Sítio Vila Branca

Fig. 9 Pedra Memorial ao Sítio Vila Branca

Fig. 10 Núcleo de “Armazenamento” de Fragmentos Arqueológicos Jacareí

Fig. 11 Núcleo de “Armazenamento” de Fragmentos Arqueológicos Jacareí

Fig. 12 Núcleo de “Armazenamento” de Fragmentos Arqueológicos Jacareí

Fig. 13 Núcleo de “Armazenamento” de Fragmentos Arqueológicos Jacareí

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